NOTÍCIA

INSTITUTO SABERES, SECEL E POVO RIKBAKTSA REVITALIZAM A MAIOR CASA DOS SABERES DO VALE DO JURUENA

Data: Segunda-feira, 04/09/2023 08:00

O Instituto Saberes em parceria com a SECEL – Secretaria de Estado da Cultura, Esportes e Lazer através do Edital Viver Cultura realizaram o projeto CASA DOS SABERES - TRADIÇÃO AMEAÇADA, que teve como objetivo principal a revitalização da Casa dos Saberes localizada na Aldeia Primavera, do Povo Indígena Rikbaktsa, às margens do Rio Juruena, no munícipio de Brasnorte. O espaço estava em condições precárias, apresentando problemas graves de deterioração das palhas, madeiramento, piso e parte elétrica, condição que fazia com que o espaço já não fosse mais tão frequentado. A revitalização buscou incentivar a tradição de celebrar momentos importantes em uma oca tradicional Rikbaktsa; e fortalecer o espírito de coletividade, uma vez que a ausência dela faz com que as famílias se separem, dando espaço para a individualidade.

Entre as dezenas de aldeias Rikbaktsa, a Primavera é a maior e por questões logísticas e estruturais é a que mais tem condições de receber grandes reuniões, eventos, rituais, entre outros. Nela moram aproximadamente 75 famílias e nas ocasiões de eventos, chegam a acolher 1000 pessoas.

“A Reconstrução da nossa Casa dos Saberes teve duas grandes importâncias pra nós. A primeira é que fortaleceu os laços da comunidade, que participou em peso. Buscamos 02 cargas de palhas a uma distância de 450 quilômetros daqui e depois que chegamos, foi bonito ver o empenho dos anciões, adultos, jovens e crianças que vieram pra ajudar. A cobertura de palhas é bonita, mas dá muito trabalho. A segunda, é que agora podemos oportunizar aos visitantes uma experiência encantadora de reunir-se dentro de uma oca indígena”, destacou a liderança Domingas Apatso, que é vice-presidente do Instituto Saberes e co-proponente do projeto.

O projeto foi coordenado pela professora e pesquisadora, Vanilda Reis que nos explicou que “A casa tradicional indígena, de modo geral, é um espaço importante para manutenção e atualização da cultura, pois é ali que os laços de afetividade são construídos, reconstruídos ou reforçados. Nela também é ensinado aos mais jovens a arte da caça, pesca, lavoura, confecção de arte plumária, entre outras tradições como crenças, mitos, lendas e memórias, que têm sido repassados de geração em geração por milênios, através da tradição oral. Vamos buscar mais parcerias para que possamos construir outros espaços como este.”

O projeto também contou com a parceria da FUNAI – Fundação Nacional dos Povos Indígenas e contou com o apoio do cacique Samaro Hektsopebita Rikbakta, que é responsável pela aldeia Primavera e garantiu que todos estão muito satisfeitos com o resultado do trabalho.